
quarta-feira, 30 de julho de 2008
A próxima derrota dos Estados

segunda-feira, 23 de junho de 2008
Desculpas

Obrigado a todos. Rodízio Cultural
Papado de Carlos Magno ou reinado de Leão III


o movimento carolíngio repousa sobre uma aliança entre o império e a Igreja, que assegura, através de uma troca equilibrada de serviços e apoios, o desenvolvimento conjunto de um e de outro. (Baschet, p.72)
Carlos Magno da continuidade a tentativa de unificação militar de seu pai, (Pepino, o breve), com investidas na Itália, na região dos saxões com extrema violência, na Germânia, na Polônia, Hungria e contra os Pirineus para formar uma zona de proteção contra os muçulmanos ibéricos. “Carlos Magno consegue reunificar uma parte considerável do antigo império do ocidente.” (IDEM, p. 70). As investidas de Carlos Magno que não só eram militares, mas levava a intenção de cristianização dos pagãos e hereges resultou em sua coroação pelo papa Leão III, em 800, e é a este que se deve a maior intenção nessa iniciativa, já que com isso “o papa sinalizava ao franco que este tem sua dignidade a partir da igreja” (IDEM. P.71).
A relação de vassalagem iniciada com Carlos Magno, onde se dividia o território em “pagis”, que eram dados em troca de serviços prestados ao Rei aos condes e nas regiões de fronteira aos duques e marqueses (títulos estes de nobreza também instituídos por Carlos Magno) demonstra que a administração do reino não era fortemente organizada e centralizada. Há também nesse momento um desenvolvimento nas zonas rurais, um aumento demográfico e a retomada do comércio que leva a uma maior organização monetária com a decisão de Carlos Magno em substituir a cunahgem de ouro pela de prata.
Os clérigos são personagens importantes na administração deste reino, onde o imperador é quem nomeia os bispos, abades e dispõe de grande número de igrejas (180) e monastérios (700). Contudo a Igreja se beneficiava nesta situação com proteção, terras, autonomia judiciária e fiscal e com o dízimo tornado obrigatório em 779.
Porém “é no domínio do pensamento do livro e da liturgia que o renascimento carolíngio conhece seus mais duradouros sucessos” (IDEM,p.74) No período carolíngio principalmente com Carlos Magno e seu filho Luís, o piedoso, reúne-se um grande números de intelectuais ao redor da corte. Com o objetivo principal de difundir os textos fundamentais do cristianismo, homens letrados e clérigos promoveram um grande avanço na história das técnicas intelectuais. Entre elas estão a generalização das letras minúsculas, mais elegantes e que tornavam os livros mais manuseáveis e legíveis, o hábito de separar as palavras e as frases uma das outras com o desenvolvimento de um sistema de pontuação, o aumento na produção de livros, a conservação da literatura latina antiga graças ao trabalho dos copistas e, por fim, a reforma litúrgica que unificou os ritos religiosos , não os deixando “à mercê da diversidade dos costumes locais” (IDEM.p.76). As artes também inovam. A arquitetura acompanha a liturgia, ambas cada vez mais bem elaboradas, imponentes e poderosas. As imagens de santos repletas de detalhes e a multiplicação no domínio literário também ajudam a ilustrar esse momento de grande produção cultural e intelectual.
A unificação carolíngia, apesar de pequena (+ou-751-843) deixou marcas duradouras. Contudo com a regionalização do poder, a formação dos feudos e a pulverização do império pelo pacto de Verdum (843) essa unificação não foi mais possível dando origem ao germe dos Estados independentes.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
A normalidade da violência em Roma

Os jogos de gladiadores fornecem um bom exemplo dos intrincados percursos sociais do espetáculo no mundo romano. As disputas de gladiadores eram um fato normal da vida cotidiana havia muito tempo. Durante o Império, os combates de gladiadores aumentaram de freqüência e se difundiram por todo o mundo romano. Surgiu um tipo especial de edifício, o anfiteatro, que funcionava como palco das lutas entre gladiadores e de outras formas de espetáculo. Em Roma, assim como nas províncias, as lutas de gladiadores estavam sempre ligadas à pessoa do imperador. Era ele que as oferecia em Roma e, nas províncias, eram os sacerdotes do culto imperial os responsáveis por sua realização. Os anfiteatros eram uma espécie de microcosmo da sociedade romana, como parte e reflexo do cotidiano. Os assentos eram repartidos segundo as classes da população, e o próprio anfiteatro era um local onde a população não apenas via, mas se fazia ver e ouvir, no qual imperador e plebe, dirigentes e dirigidos se confrontavam face a face, onde o anonimato da massa conferia força e consistência para o apoio ou para as reivindicações da plebe. Nesse espaço, sagrado e mundano, as lutas entre gladiadores ocupavam um lugar especial.O anfiteatro era, para os romanos, parte de sua normalidade cotidiana, um lugar no qual reafirmavam seus valores e sua concepção do “normal”. Nos anfiteatros eram expostos, para serem supliciados, bárbaros vencidos, inimigos que se haviam insurgido contra a ordem romana. Nos anfiteatros se supliciavam, também, bandidos e marginais, como por vezes os cristãos, que eram jogados às feras e dados como espetáculo, para o prazer de seus algozes ou daqueles que defendiam os valores normais da sociedade.Mas os combates de gladiadores ocupavam um lugar à parte, um lugar de honra. Embora, de início, os gladiadores tenham sido, em sua maioria, prisioneiros de guerra ou escravos, na época do Império boa parte era de origem livre, os auctorati, que se ofereciam como gladiadores, colocando-se sob o poder de seu mestre (o lanista), ao qual prestavam juramento sagrado.Esse juramento transformava o gladiador num ser para o qual a dor e a morte deixavam de ser ameaças terríveis para transformar-se em parte corriqueira da vida: um simples momento, o momento da verdade, que deixava de ser objeto de angústia para se tornar objeto de honra. Honra e vergonha são palavras-chave para entendermos a paixão que os gladiadores suscitavam no mundo romano. O gladiador vencido, em vez de lutar inutilmente pela vida, oferecia graciosamente o pescoço a seu adversário e à platéia. Transmutava, assim, a vida num combate glorioso, cujo fim, necessário para todos, podia ser uma morte digna. A figura do gladiador era um belo espelho de realização humana, um modelo para filósofos e religiosos. Não era o massacre, a vista do sangue, a dor alheia que seduziam os espectadores, mas um uso, todo próprio, todo especial, todo romano, do que nós mesmos consideramos uma violência absurda.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Apelo de uma geração desiludida
[por Amilton Augusto]
Maio de 1968! Revoluções estavam por acontecer! As massas efervescentes em vários cantos do mundo estavam em ebulição, lutavam pela liberdade. Na verdade, não existia uma unidade na luta ideária, cada qual queria um objetivo diferente, mas o fato era - liberdade a qualquer preço. Uma revolução para os românticos, uma baderna para os conservadores. Maio de 68 pode ser pautado de maneiras diferentes, depende apenas do ponto de perspectiva.
Brasil, México, França, Estados Unidos, Tchecoslováquia, Polônia... Em cada uma destas partes, a juventude e os operários lutavam contra as ditaduras, contra o modo de vida patriarcal, contra o racismo, pelo fim da Guerra do Vietnã... No Brasil, em particular, a geração de 1968 saía às ruas das grandes cidades em protesto, contra um regime autoritário e ditatorial: os artistas faziam suas manifestações nas peças teatrais, no cinema, na música (graças a essa geração artística herdamos boas obras musicais). Um ar de esperança pairava sobre as pessoas com sede de mudança, de liberdade, de romantismo.
Quarenta anos se passaram e muito nos ficou da década de sessenta: liberdade sexual, diminuição de preconceitos raciais, fim de várias ditaduras, melhor igualdade entre homem e mulher, a arte peculiar desta época, a organização estudantil, etc. É quase impossível medir os pontos positivos e negativos - como já disse, vai depender do ponto de vista. Chico Buarque, em sua música Tanto Mar, elogia a Revolução dos Cravos e, por outro lado, critica, porque o fogo da revolta portuguesa não durou depois da queda da ditadura salazarista. Peço licença ao grande Chico, pois, da mesma maneira que o mundo ferveu rápida e esperançosamente em 1968, ele esfriou e até hoje sentimos o frio cortante da falta de vontade do povo.
terça-feira, 13 de maio de 2008
Vida pra se viver, vida pra se pensar, vida pra se fazer

segunda-feira, 12 de maio de 2008
Vende-se Sensacionalismo

Caso Nardoni, Ronaldinho e travestis, Big Brother Brasil, e inúmeras notícias com pouca utilidade, bombardeiam nossas vidas. Basta ligar a televisão ou acessar algum portal de notícias, e elas, as fúteis notícias, vão explodir na sua cara. Com sensacionalismo e muita comoção, vamos todos prestar atenção arduamente e nos levar para dentro dessas intermináveis novelas fictícias. Sim! Fictícias... O que fazem as mídias de massa são ficções. Primeiramente, porque é impossível saber o que realmente aconteceu nestes casos, e as “grandes” mídias nos fazem o favor de julgar previamente, e com mais convicção que o próprio tribunal.
Deve ser imperceptível aos olhos da grande massa brasileira que centenas de pessoas, principalmente crianças, morrem diariamente no Brasil vítimas da fome, da violência, do descaso público, da injustiça social? Não é possível julgar qual crime ou qual brutalidade é mais cruel: uma criança que morre assolada pela fome no sertão, ou um pai de família que é assaltado, ou uma criança que é jogada pela janela de um prédio. Crimes bárbaros acontecem todos os dias, mas nos assombramos somente com aquilo que a mídia nos mostra como grave. Perdemos a capacidade de separar trigo do joio, de saber o que é e o que não, a imprensa faz isso para nós, ao seu gosto, é claro!
E o jogador de futebol que se envolve com homossexuais? Não somos livres? Só porque se trata de um craque do futebol e milionário, ele não pode mais ter seu momento de lazer? Onde ficam nossos direitos de ir e vir? Mais uma vez, a mídia nos conta o que é “importante” e o que não deve ser comentado... E, mais uma vez, lógico, a seu gosto! Isso tudo faz parte de uma engrenagem milionária que cria um sensacionalismo para nos prender e faturar alguns milhõezinhos. A essência humana é entregue às peculiaridades do capitalismo selvagem, inclusive a sua.
